Ricardo Daunt de Campos Salles

Ricardo Daunt de Campos Salles é descendente das mais antigas famílias de nossa cidade. Mesmo não tendo nascido em Pinhal, adotou nossa cidade como sua, e aqui vem desenvolvendo, com sua pena de escritor, um incansável trabalho como defensor da ética, da moralidade e dos direitos de nosso povo. Pingo nos is é um livro que exalta, com argúcia e rara competência, o que temos de melhor em todos os campos de atividades. Abrange política, arte, futebol, religião. Incita as pessoas a reivindicar decência e honestidade na vida pública. Abre os olhos do povo para que fique atento para fiscalizar o que lhe pertence.
Tem sensibilidade de dizer que enquanto a fotografia nos revela os acontecimentos no papel, a música os revela na alma. Grande incentivador da cultura pinhalense e seus valores, é agora baluarte do movimento Rainha das Serras, és responsável por ela. Este é um livro imperdível para todos os que buscam uma compreensão profunda de nosso tempo, nossa cidade, nosso país. Não deixe de lê-lo. Marly Bartholomei. Escritora, autora, entre outros trabalhos, do livro O Romance de Pinhal, bem como de diversos artigos para jornais.

Pingos nos Is
Muita gente, ao ler minhas crônicas, se admira da diversidade de assuntos tratados. Ao que eu sempre respondo: eu não sou Ph.D. em política, nunca estudei arte, muito menos joguei futebol. Embora homem de fé, minha religiosidade é questionável. Eu entendo de gente, para o bem ou para o mal. Sou observador, tenho a capacidade de me indignar e adoro relacionar fatos, fazendo relações que muitas vezes escapam ao senso comum. Mas, acima de tudo, odeio clichês e não tenho medo de não ser politicamente correto; ao contrário, adoro uma polêmica. É exatamente a diversidade que caracteriza as relações humanas, não importa se negócio de estado, exposição de arte, semana literária, culto religioso, jogo de futebol – enfim, todas as atividades têm relação entre si e podem definir a essência do momento. O futebol acabou refletindo a política do país quando foi derrotado pela Alemanha por 7 a 1, resultado do sentimento de derrota do brasileiro, indignado com a corrupção de seu governo e da FIFA. Agora que, ao que parece, a impunidade está com seus dias contados, o time brasileiro, depois de seguidas derrotas, conquista a medalha de ouro olímpica e o povo grita o campeão voltou, quando na realidade é a esperança que está voltando.
Nos anos 70, política, futebol e arte interagem por ocasião do chamado falso milagre. Enquanto o governo militar obtinha enorme aprovação popular, o time brasileiro de futebol conquistava sua mais contundente vitória, e quem pagou o pato foi nossa música popular brasileira que, pelas mãos de seus próprios artistas, inviabilizou a carreira de um de seus maiores ídolos, Wilson Simonal, sob alegação de esse artista patrocinar a ditadura militar. Aliás, a polarização esquerda e direita não é prerrogativa da classe política e está entranhada no meio artístico que, em nome de uma pseudojustiça social, criou obras maravilhosas que até hoje extasiam o público, independentemente de sua coloração ideológica. Daí a censura contra a força que só o artista consegue imprimir na sua arte, que acaba ameaçando os detentores do poder. Enfim, o mundo é um mosaico de atitudes e sentimentos, ações e omissões, intuição e lógica, talento e esforço, e tudo aquilo que é mensurável ou imensurável, pertinente ou inominável, geral ou particular, o que, em maior ou menor grau, acaba definindo um determinado tempo. E é justamente na urgência desse tempo que os artigos deste livro foram escritos, referindo-se a um ciclo que, ao que tudo indica, está chegando ao fim neste país.

Olá Ricardo. É um prazer contar com a sua participação no Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Muita gente ao ler minhas crônicas se admira da diversidade de assuntos tratados. Ao que eu sempre respondo: eu não sou Ph.D. em política, nunca estudei arte, muito menos joguei futebol. Embora homem de fé, minha religiosidade é questionável. Eu entendo de gente, para o bem ou para o mal. Sou observador, tenho a capacidade de me indignar e adoro relacionar fatos, fazendo relações que muitas vezes escapam ao senso comum. Mas acima de tudo, odeio clichês e não tenho medo de não ser politicamente correto, ao contrário, adoro uma polêmica.
É exatamente a diversidade que caracteriza as relações humanas, não importa se negócio de estado, exposição de arte, semana literária, culto religioso, jogo de futebol, enfim, todas as atividades têm relação entre si e podem definir a essência do momento.
O futebol acabou refletindo a política do país, quando foi derrotado pela Alemanha por 07 a 01, resultado do sentimento de derrota do brasileiro, indignado com a corrupção de seu governo e da FIFA. Agora que, ao que parece, a impunidade está com seus dias contados, o time brasileiro, depois de seguidas derrotas, conquista a medalha de ouro olímpica e o povo grita, o campeão voltou, quando na realidade é a esperança que está voltando.
Nos anos 70, política, futebol e arte se interagem por ocasião do chamado falso milagre. Enquanto o governo militar obtinha enorme aprovação popular, o time brasileiro de futebol conquistava sua mais contundente vitória, e quem pagou o pato foi nossa música popular brasileira que, pelas mãos de seus próprios artistas, inviabilizou a carreira de um de seus maiores ídolos, Wilson Simonal, sob alegação de esse artista estar patrocinando a ditadura militar.
Aliás, a polarização esquerda e direita não é prerrogativa da classe política e está entranhada no meio artístico que, em nome de uma pseudo justiça social, criou obras maravilhosas que até hoje extasiam o público, independentemente de sua coloração ideológica. Daí a censura, contra a força que só o artista consegue imprimir na sua arte, que acaba ameaçando os detentores do poder.
Enfim, o mundo é um mosaico de atitudes e sentimentos, ações e omissões, intuição e lógica, talento e esforço, e tudo aquilo que é mensurável ou imensurável, pertinente ou inominável, geral ou particular, o que, em maior ou menor grau, acaba definindo um determinado tempo. E é justamente na urgência desse tempo que os artigos desse livro foram escritos, se referindo a um ciclo que, ao que tudo indica, está chegando ao fim neste país.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Escrevo para os jornais de Espírito Santo do Pinhal, onde resido.
Assino uma coluna no jornal A Cidade, posteriormente O Pinhalense há dez anos.
Fiz uma seleção entre as mais de duzentas crônicas publicadas, com o propósito de resgatar esse período conturbado que desaguou nesse caos político que estamos vivendo.
Como disse acima, meu livro é muito variado, aborda vários assuntos, sempre numa abordagem política.
Ler a Apresentação do livro a pag.11, que explica o meu objetivo na publicação do livro.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Esse é o grande desafio. Como escrevo para jornais numa cidade pequena recebo muitas manifestações positivas de meus leitores.
Escrevo também para o jornal O Estado de São Paulo na coluna Fórum dos Leitores.
Enfim, se o que eu escrever tiver receptividade para poucas pessoas, já terá valido a pena.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Meu filho já publicou dois livros de poesia pela Scortecci. Devaneios e Definições da Vida.
Portanto conheço a Scortecci há bastante tempo.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
O meu livro merece ser lido por tudo isso que escrevi acima. Pela receptividade que suas crônicas tem tido, mas principalmente, por mostrar as entrelinhas do momento que o brasileiro está vivendo, seja através da política, das artes, do esporte, da religião, e por aí vai.

Maria Cristina Andersen
Blog do Escritor

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