O MESMO OUTRO / Josemar Martins Pinzoh

O livro O Mesmo Outro reúne textos poéticos com formatos variados, ora se aproximando da rima não ortodoxa, ora se afastando dela. Também são poemas com idades muito diferentes, tendo em vista que não se trata de uma obra que decorre de um trabalho contínuo e sistemático de escrita, orientado por um tema ou coisa que o valha. ?A Mão?, por exemplo, oficialmente o primeiro poema do autor, é de 1984; ?Meu Verso? é do final dos anos 1990, mas a maioria é formada de criações mais recentes.

Alguns viraram música, como ?Bem Velho?, ?Meu Verso? e ?Eira?. No conjunto, os poemas são uma safra de experimentos literários nos quais o autor busca expor suas inquietações e suas derivas, o amor, o desamor, a política, a loucura, mas também a observação atenta e nada passiva do mundo, do cotidiano, da cidade, mas também um olhar para dentro, buscando encontrar os seus avessos. Assim, O Mesmo Outro é sobretudo um trabalho despretencioso e sincero. Nele os leitores encontrarão não uma obra, no sentido clássico do termo, mas uma pessoa defrontando-se com seus outros, com sua alma nua, experimentando as possibilidades do exercício poético.

O livro O mesmo outro reúne textos com idades muito diferentes. Estão nele reunidos poemas como A Mão, oficialmente o primeiro poema do autor, classificado em 3º lugar no Concurso de Poesias da I Semana Cultural de Curaçá - BA, ocorrida no já distante ano de 1984. Há outras coisas já ?adultas?, como Meu Verso e Eira ? o primeiro do início e o segundo do final dos anos 1990 ? ambos ganhadores de Concursos de Poesia do Salão de Artes Universitário Regional, realizados no Departamento de Ciências Humanas III, da Universidade do Estado da Bahia (Juazeiro - BA). Ambos musicados pelo músico João Energia. Há ainda outros poemas que viraram música, como Bem Velho, cujos arranjos foram feitos em parceria com Fernando Antonio Ferreira, Fernandinho. E há muitos outros poemas muito recentes.

Segundo o autor, os textos reunidos neste livro não chegam a formar uma obra. São uma safra de insônias, cochichos acanhados e sem forma que tomaram forma de excelência, e que resmungam o atrito do Eu com o Mundo! Para o autor, é sua forma de inscrição rupestre, tralhada a unha no fundo da sua caverna. Antes de tudo O mesmo outro é um trabalho de desobrigação, de desentulho, de travessia. Expressão de uma insídia cuja tonalidade vem mudando a parir de dentro. Não chega a ser uma matriz ou cópia de alguma outra coisa autêntica. É o que é! É, sobretudo, um exercício de nudez.

O mesmo outro é, antes de tudo, um trabalho de desobrigação, desentulho, travessia. Fez-se em forma de insídia, dessas cuja tonalidade vem mudando a parir de dentro. Não deixa de ser uma cilada! Ainda agora é um fruto verde ? mas antes que de maduro despenque, já podre, é melhor colher logo. Do ponto de vista de sua lógica, não chega a ser uma matriz ou cópia de alguma outra coisa autêntica. É o que é! O original é este mesmo: um rascunho. Mas, ao mesmo tempo é outrem: é o mesmo mas é outro!(...)

Exceto pelas pequenas distinções de idade, os textos aqui reunidos não chegam a formar uma obra ? não no sentido clássico! É apenas uma safra de insônias que nasceu como rascunhos de mim mesmo, cochichos acanhados e sem forma, e foi tomando forma de excedência. Não sei o quanto de poesia há em O mesmo outro, sei apenas da sua necessidade. Suas letras vacilam entre a rima e o pé-quebrado, versos em prosa, expõem, resmungam o atrito do Eu com o Mundo! É minha forma de inscrição rupestre, talhada  a unha no fundo da minha caverna. É meu exercício de nudez. Não vou me desculpar por isto!
O Autor

Josemar da Silva Martins nasceu em 1967, num sítio chamado São João, interior do povoado rural de São Bento, município de Curaçá - BA. Um dia, ainda no Colégio Ivo Braga, errou por um pequeno detalhe, numa prova de História, o nome no navegador Vicente Yañez Pinzón e ganhou um Pinzoh como apelido. É aprendiz da poesia desde 1984, quando escreveu o poema A Mão. Em 1986, participou da publicação do livro Cometendo poesias (Editora Scortecci), em parceria com José Carlos Rego, Pinduka. Atualmente mora na cidade de Juazeiro - BA, é doutor em Educação e Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Serviço:

O Mesmo Outro
Josemar Martins Pinzoh

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-2316-0
Formato 12 x 18 cm 
124 páginas
1ª edição - 2011
Preço: R$ 30,00

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