A ALJAVA DE CUPIDO / Durval Augusto Jr.

A aljava de Cupido é a reunião de trinta contos selecionados dentre todos aqueles que o autor escreveu nos últimos anos. Procurou-se, nesta coletânea, agrupar somente histórias que abordam o relacionamento entre pessoas de vários perfis psicológicos, seus dramas, suas buscas, seus conflitos, sonhos, angústias, conquistas, decepções – sempre reservando espaço para o cômico e o inusitado. As primeiras narrativas apresentam um pouco mais de leveza e lirismo, mas, à medida que avança na leitura do livro, irá o leitor se deparar com um pouco mais de drama e eventualmente com a inabilidade dos personagens para lidar, de modo adequado, com os seus relacionamentos.

O que parece simples se torna, com muita frequência, complicado, uma vez que a realidade nunca se cansa de confrontar o homem com suas próprias fraquezas morais. Impotente e perplexo, ele muitas vezes precisa encontrar a coragem necessária para retomar uma luta na qual fora derrotado por si mesmo. Os conflitos, as angústias, os temores, as amarras emocionais precisam ser vencidas em nome do amor e da felicidade, mas nem sempre o homem está pronto para vencer tal luta, e o resultado é, de novo, frustração. Há alguns finais felizes, sim; poucos, é verdade, mas o autor foi, dentro do possível, generoso para dar-lhes algum espaço. Contudo, privilegia-se aqui a dramaticidade, salpicada aqui e ali com doses de bom humor e as boas surpresas de Cupido.

É inevitável se emocionar com a cadela Nicole e seu “marido” Rex, em sua saga para reencontrar sua antiga dona; vamos acompanhar os dramas vividos por Artur e suas “Marias”, e será difícil para muitos leitores não tomar-lhe as dores; as decepções de personagens como o escritor Paulo, desprezado e insultado por sua mulher Julieta, também deixarão indignados muitos leitores, que, no entanto, se sentirão, ao final, vingados juntamente com ele; indignados ficarão também, em outro conto, com Gabi, a moça que esperava mais uma chance, essa chance veio e ela de novo a desperdiçou, para desilusão inapelável de seu pretendente; em outra história, intitulada “O Gustavo vai falar”, será que ele falou? Não! Porque a dificuldade de comunicação é uma das grandes vilãs dos relacionamentos. Há até mesmo um personagem que, em um dos últimos contos, declara que não vai morrer, “por desaforo!”. E o que será que aquela mulher do conto “Vinho, jazz e Dostoiévski” foi fazer naquele inverno, num a pousada solitária, no alto da montanha? Mas os doces olhos da menina Melissa irão acompanhá-la até a velhice. Às vezes o amor pode dar certo.

"Ele a conhecera havia poucas semanas. Mas estava agora com ela ali, às margens do Sena, observando as águas que rolavam serenas naquela manhã de maio. Paris o surpreendera, pois estava muito mais deslumbrante do que ele havia imaginado. Mas tudo estava mais deslumbrante do que de costume. O amor torna tudo muito mais deslumbrante do que de costume, pensava ele, naquele momento em que só o perfume dela e o pulsar de sua respiração eram suficientes para preencher a vida dele, preencher o mundo.”

"Esta foto aqui, de menos de um ano atrás, mostra o brilho de uns olhos que haviam descoberto a Melissa; fala de um coração que, com a ingenuidade de sempre, passara a sonhar de novo. Esta outra, tirada ontem na casa do Eduardo, espelha o que acontece quando alguém se apaixona e se declara muito apressadamente, chega e fala na lata o que o insano coração exige; ela retrata o que aconteceu com as palavras que, forçadas a se recolher, foram se acotovelar e se espremer no departamento de flores secas do coração.”

Durval Augusto Jr. formou-se em Psicologia pela PUC-MG em 1984 e, três anos depois, após ter trabalhado por mais de uma década numa empresa de seguros, mudou-se para a cidade mineira de Serro, onde permaneceu por quase cinco anos, exercendo a profissão de psicólogo clínico. Foi naquela cidade que, ainda na década de 1980, iniciou suas atividades literárias, tendo, no período, alcançado boas colocações em concursos de poesias e contos. De volta à capital mineira, publicou, em junho de 1999, seu primeiro livro – a novela Fernando Capeta Urubu. Após trabalhar mais alguns anos como psicólogo, resolveu migrar para o Poder Judiciário. Ali passou a exercer várias atividades burocráticas até que, após algum tempo, pôde atuar como revisor de textos. Isso lhe permitiu ficar, finalmente, um pouco mais próximo do fascinante mundo das letras, ainda que houvesse uma diferença inquestionável entre o preto e branco dos textos que revisava e o colorido ímpar das sugestões de tramas que lhe assediavam o espírito a todo instante. Continuou então produzindo literatura e voltou a publicar em 2006, trazendo o romance Almas tontas. Em 2011, publicou Sem paredes – outro romance – e lançou a segunda edição de Fernando Capeta Urubu.

Serviço:

A Aljava de Cupido
Durval Augusto Jr.

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-4588-9
Formato 14 x 21 cm 
112 páginas
1ª edição - 2016
Preço: R$ 30,00

 
 
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