VELHICES E OUTRAS COISAS / Ana Cristina Passarella Brêtas

VELHICES E OUTRAS COISAS não é um livro sobre velhice, versa sobre gentes que envelhecem na cidade, muitas vezes sem perceber que isso lhes acontece. Em todos os contos, velhos e/ou velhas em sua humanidade, sem as máscaras da representação social ou da sub-representação, desfilam uma velhice plural e construída. O corpo na experiência da existência tem destaque na obra; a escrita torna visível corpos em envelhecimento e posiciona-os em cena. A cada texto, uma nova voz e um novo argumento se apresentam, as histórias oscilam entre a realidade e a memória, entre a verdade e a mentira. Os personagens criados coexistem no imaginário coletivo. Pode ser que o leitor se reconheça, contudo, a autora adverte: o real foi recortado, reinventado, habita o mundo da ficção.

Minha primeira dormida sem-teto foi embalada pelo vento na nuca, pela boca seca, pelo medo que desenha sombras. Sentei no banco do ponto de ônibus para esperar o sol chegar. A Cinderela passou antes, sem carruagem, no lugar de bolsa sacos pretos, nos pés a ginga desafinada da pobreza; seus olhos velhos abraçaram o meu medo na outra ponta do banco, a distância dos corpos nos aproximou. Adormeci. (AS SOMBRAS DA CIDADE)

De novo, passeio de maca. Tudo é teto. Quem empurra só tem o trajeto, não me distingue. Histórias anuladas neste lugar: a minha e a dos que me conduzem. UTI. Soro. Mais tubos. Banho no leito. Privacidade? Acabou. Estou presa em mim mesma. Não consigo falar. Penso. Sinto. Sinto muito. (SAIR DE SI)

Está tudo arrumado: o crematório pago, o vestido vermelho no armário. Flores e velas eu dispenso, juntas ainda me causam incômodo. As cinzas, o vento que se incumba do esparramo. Renego cemitério, escraviza os vivos à manutenção dos túmulos, estraga a memória do morto. (VESTIDO VERMELHO)

Velhices e outras coisas não é um livro sobre velhice, versa sobre gentes que envelhecem na cidade, muitas vezes sem perceber que isso lhes acontece. Em todos os contos, velhos e/ou velhas em sua humanidade, sem as máscaras da representação social ou da sub-representação, desfilam uma velhice plural e construída. O corpo na experiência da existência tem destaque na obra; a escrita torna visíveis corpos em envelhecimento e posiciona-os em cena. A cada texto, uma nova voz e um novo argumento se apresentam, as histórias oscilam entre a realidade e a memória, entre a verdade e a mentira. Os personagens criados coexistem no imaginário coletivo. Pode ser que o leitor se reconheça, contudo a autora adverte: o real foi recortado, reinventado, habita o mundo da ficção.

Ana Cristina Passarella Brêtas nasceu em 1961, na cidade de São José do Rio Preto (SP). Vive em São Paulo desde 1983. É enfermeira, socióloga, professora associado aposentada da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Enfermagem, onde atuou na interface das áreas da Saúde Coletiva, da Gerontologia e da Sociologia da Saúde por 28 anos. A partir de 2015, dedica-se ao seu processo de formação como escritora frequentando especialização, cursos livres e oficinas, e participando de concursos literários. Foi finalista, com a crônica “Não nasci comendo alface”, do Prêmio Sesc de Crônicas Rubem Braga – Edição 2015 e, com o conto “As sombras da cidade”, do concurso literário Mulheres Contistas, promovido pela Editora Zouk e Casa da Mãe Joanna, em 2017.
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Serviço:

Velhices e Outras Coisas
Ana Cristina Passarella Brêtas

Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-5767-7
Formato 14 x 21 cm 
72 páginas
1ª edição - 2018
Preço: R$ 26,00

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