SUL E OUTROS POEMAS / Nelson Ibañez

O livro aborda o tema do Sul a partir do olhar invertido pelo magnetismo do Norte (hemisfério, domínio, hegemonia). O autor traz uma poesia referenciada ora nas experiências vividas ora no lirismo das imagens, sons e mesmo ruídos deste olhar. Falar do Sul para o autor é falar do céu invertido, da violência das desigualdades, da tristeza, das alegrias de sua gente, de suas festas, em especial o Carnaval.

Este livro de poemas de impressionante conteúdo reafirma as possibilidades da poética livre, evidenciando os equívocos daqueles que exigem aprisionar o sentimento em formas fixas para dizer o vivido. Em poemas como “Cultura e Natureza” encontramos Nelson Ibañez, médico, pioneiro na administração de sistemas locais de saúde – os Silos, às voltas com seus alunos, nos textos de História da Medicina: sempre o ser humano como foco e objeto da sua curiosidade científica e poética. Não temos dúvida quando ele pergunta “O que temos feito dos nossos sonhos?”. Ele a si mesmo responde, com suas viagens oníricas ou reais, entre congressos científicos, ou a trabalho, quando para num bar de esquina para ver crianças brincando... no “Paralelo de Domingo”. As folhas aqui colhidas nos levam a perceber desconstruções criativas, um espaço simbólico de encontros, pausas e descontinuidades, ideias em que a emoção palpita. Em todas as folhas Nelson está.

A obra de Nelson na arte poética, alicerçada no primeiro livro – e aqui decorada de uma desorganização ética da realidade –, permite a nós, seus leitores, a busca de uma síntese, perfeitamente contemplada ao fim da leitura. Atinge-se por via diferente da via do pensamento, como música, ao construir um acorde original entre o homem e o mundo, entre o som e o silêncio.  Vide a série de poemas “Carnaval”, em que a poesia de Nelson nasce, insujeita a modismos e onde estiver o homem, que por ela realiza-se melhor na liberdade. Pulsa o Nelson músico, amante sabedor de todas as letras do nosso cancioneiro. Nelson, um brasileiro. Aqui sua poesia nasce do burburinho. Ou nas viagens em que viceja a poesia engendrada no silêncio do olhar. Ali, Nelson, um cidadão do mundo. Nelson Ibañez, amigo generoso que nos dá de presente este vasto dicionário de amor à vida. E... “basta um ponto final”.
Selma Patti Spinelli - Presidente da União Brasileira de Trovadores de São Paulo, SP

"Tomado de surpresa, fui convidado para escrever algumas palavrinhas sobre este disco". Assim começava o texto que o Nelson escreveu no encarte do LP que fiz, no longínquo 1980, com músicas nossas. Parafraseio o amigo. Mas do livro não falo. Sou suspeito. Até porque quem deve falar de sua poesia é ela própria, a poesia. A arte sempre fala por si. E eu, nem crítico literário sou. Mas sou parceiro. Na música – tantas que fizemos juntos – e na vida, na amizade. Conheço Nelson desde 1970. Quarenta e sete anos, portanto. Nelson é caloroso, tem sempre um "chega mais!" para quem dele quiser se aproximar. Tem sempre a porta da casa aberta, tem sempre um samba para cantar. Aliás, Nelson conhece sambas como poucos, como pouquíssimos. É capaz de citar letra, quem canta, quem gravou, de quem é a música. Qualquer uma. Se a gente comenta uma situação, fácil, fácil, ele emenda um samba, uma citação musical. Quem conhece o Nelson apenas superficialmente, ou por poucos encontros, é possível ficar com a impressão de que ele é uma pessoa séria. Bem... devo dizer que ele é uma pessoa séria. Profissionalmente, sempre foi sério, rigoroso, comprometido. Mas, com os amigos, descontraído, mostra outra face, sendo capaz, por exemplo, de falar uma enorme quantidade de "abobrinhas" numa quantidade reduzida de tempo. Mas não uma bobagem qualquer. Suas "abobrinhas" aproximam-se do surrealismo, são, elas também, uma forma de arte que acende a imaginação e a todos diverte ao seu redor. Nelson é generoso, solidário. Não falha com os amigos e com quem dele precisa. Não falha. É comprometido com a permanente busca da vida melhor – para todos. Tem sempre um olho voltado para os oprimidos, para "essa gente que se aperta no trem". Nunca se rendeu à noite escura, aquela cheia de pesadelos, que nos oprime. Ele próprio faz parte do "bando de homens tecendo uma aurora". E, tal como em seu poema ‘‘Ovo de Colombo’’, seu olhar está permanentemente voltado para o Sul. Para onde estamos.
José Otávio Scharlach 

Paulistano nascido no bairro da Barra Funda, conviveu na sua infância com a cidade ainda provinciana das décadas de 50 e 60: jogou bola nas várzeas a beira do Tiete, andou a cavalo, chocou bondes, ia a pé para a escola pública entre outras coisas. Suas fortes marcas de amor pela cidade. Sua família de avós imigrantes italianos e espanhóis influenciaram no gosto pela cultura , arte no sentido mais geral e em particular pela poesia e pela música. Ainda adolescente se encantou pela nebrina, pelo centro da cidade e a boemia. A política veio pela sua geração de 68, filiado ao partido comunista, participou do movimento estudantil, movimento sindical e social contra a ditadura. Formado médico optou pela saúde pública. Participou da criação do Club do choro, foi da ala de compositores da Pérola Negra. Seu trabalho e a curiosidade pelos povos foi o motivo de viagens por outras terras. Sua poesia nasce da mistura dessas vivencias. Letrista de sambas e canções publicou seu primeiro livro de poesias em 2000 “Catatempo- apontamento da memória e alguma poesia”.

Serviço:

Sul
E Outros Poemas
Nelson Ibañez

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-5271-9
Formato 12 x 20 cm 
76 páginas
1ª edição - 2017
Preço: R$ 25,00

 
 
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